por que cargas d’água fui te tocar?
Meu corpo é uma cicatriz do mundo.
Não indelével, não imutável.
Ainda assim existente, já que dizer eterna soaria moraisiano.
Meu corpo não é moraisiano, não é instrumento, não é veículo.
Meu corpo é. O corpo que não é meu, que sou eu, mesmo que não seja.
Não me reduzo a minha corporeidade, tampouco ela se reduz a mim. A despeito dos meus mais variados esforços, seus movimentos não me obedecem, o seu pulsar não me toca a razão.
O corpo que se captura jamais se deixa tocar: a carne que se dilacera é intangível e se desfaz [no ar].
Vísceras que acessam o presencial.
Sobre esta entrada
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- Publicado:
- 26 Julho, 2009 / 10:06 pm
- Categoria:
- bronha mental, confissão
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