por que cargas d’água fui te tocar?

Meu corpo é uma cicatriz do mundo.
Não indelével, não imutável.
Ainda assim existente, já que dizer eterna soaria moraisiano.

Meu corpo não é moraisiano, não é instrumento, não é veículo.

Meu corpo é. O corpo que não é meu, que sou eu, mesmo que não seja.

Não me reduzo a minha corporeidade, tampouco ela se reduz a mim. A despeito dos meus mais variados esforços, seus movimentos não me obedecem, o seu pulsar não me toca a razão.

O corpo que se captura jamais se deixa tocar: a carne que se dilacera é intangível e se desfaz [no ar].

Vísceras que acessam o presencial.


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