momentos

Me sinto repetitivo ao dizer que a vida é feita de momentos. Quer dizer, isso já é um grande clichê e roda o mundo inteiro de todas as formas. Mas, mesmo assim, de algum jeito, é quase espiritual quando você realmente sente a veracidade e o peso da sabedoria escondida nos clichês.

Tudo na vida é impermanente, inclusive nossas reações a ela. Há um grande momento epifânico onde o mistério do universo da vida e tudo o mais se desvela, e passa um pouco esse momento sai voando como uma das estátuas de Dédalo. Assim o é com os intermináveis tempos de desamparo ou decepção, também. Todos passam na grande esteira rolante através do tempo, de uma maneira que a primeira vista talvez até pareça circular… mas que um olhar mais aguçado talvez note uma espiral. Pois as situações podem ficar repetindo eternamente… Mas, a final de contas, se você aprende com elas e passa a resolvê-las quase imperceptivelmente, a esteira dá uma guinada e parte pra outro problema, quem sabe até do mesmo estilo, mas em um nível diferente.

Se a esteira chega no momento divertido e você está triste e abalado pelo problema anterior, o momento divertido passa e você nem nota; se você ainda tá extasiado pelo momento divertido quando vem o problema, você pode resolvê-lo com mais energia do que a necessária para aprender a solucioná-lo. Tudo extremamente dependente e nem um pouco eficiente. Hehe.

Então vem a questão, para atingir essa eficiência através da esteira é necessária uma alta dose de resistência e intangibilidade. Não se afetar pelas tristezas ou alegrias tão facilmente, por perceber a impermanência e buscar em si a permanência. Aí é que tá. Essa permanência teoricamente inexistente (impossível) é algo de valor? Não podemos ser humanos sem boicotar passo a passo tudo aquilo que nos torna a manifestação da humanidade no universo? Temos sempre que ser “corajosos”, “sábios” e regredir/evoluir a um estado não humano? Não podemos simplesmente nos alegrar por ser humanos e nos divertir nesse parque de diversões sem preocupações?, não da melhor forma, mas de qualquer forma?

Afinal, tamo aqui e não podemos perder a viagem. E as tais das epifanias só servem pra nos fazer tentar eternizar uma consciência além de nós mesmos, longe da humildade de ter prazer por ser quem somos onde somos e ver que não há nada de errado ou inferior nisso. E a esteira não vai parar de girar por isso.


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